DO SURREAL AO HIPNÓTICO

 

Ainda estou em êxtase teatral! Coisa que só espetáculos muito bem concebidos e apresentados conseguem fazer. Me refiro a NOITE ÁRABE, dirigida por Alexandre Dill, e que está em cartaz no Goethe Institut. O ritmo do texto, a mistura equilibrada e expressiva de música, cinema, foto, dança e arte dramática leva até despreocupados espectadores a recônditos lugares do subconsciente. Esta abordagem bem sucedida do texto de Roland Schimmlepfennig contou com referências a Nijinsky e Buñel que ajudaram a dar o tom surreal e exploratório. Os tempos bem marcados e textos rápidos e intensos, que beiram a verborragia, em um jogral de pessoas que não conversam entre si, provocam uma sensação hipnótica. Para mim o recado, coisa que não é função da arte, ficou claro e bem colocado neste lindo espetáculo: precisamos conversar mais e melhor entre nós mesmos, e para isso precisaríamos ouvir-nos mais um ao outro, o que é cada vez mais difícil em uma sociedade saturada de mensagens, expectativas e ansiedade. NOITE ÁRABE de Alexandre Dill é ‎#imperdível! 

Luciano Medina Martins - Jornalista 


ENDURECER SEM PERDER A TERNURA OU FORMALIZAR SEM PERDER A DRAMATICIDADE

A Noite Árabe, na encenação de Alexandre Dill nos permite a fruição de um espetáculo denso e perturbador, que se estrutura como um jogo de múltiplas vozes que ora se opõem, ora se complementam buscando um lugar no tempo/espaço que é - simultaneamente - o apartamento do 7º andar e a epifania de cada um dos personagens. Essa sobreposição de objetivos foi traduzida pelo encenador com o uso da linguagem do vídeo paralela à linguagem do teatro. É reconfortante ver que a montagem não cai na armadilha de fazer um jogral acompanhado de partituras corporais, sob a justificativa de experimento de linguagem, nem descamba para o uso gratuito e burocrático da tecnologia, apenas para rotular a encenação como “pós alguma coisa”. A montagem do Grupo Jogo consegue manter-se no fio da navalha entre ser propositivamente tecnológica, ao mesmo tempo em que é teatral e apaixonada. Muito disso é mérito dos atores que se mostram entregues e inteiros no espetáculo. Numa composição muito difícil de estruturar-se, A Noite Árabe é dispersa e reflexiva, convidando-nos a jogar o jogo essência X aparência, ser X estar, sentir X ignorar, aceitar X fingir. Por último, mas não menos importante, destaco a beleza e eficiência da trilha sonora.

TEATRO NO PAPEL, por Stella Bento

A NOITE ÁRABE

Direção/; Alexandre Dill

Texto: Roland Schimmelpfennig
Intérpretes: João Pedro Madureira, Thainá Gallo, Emanuele De Menezes, Igor Pretto e Gabriel Faccini
Assistente de direção: Filippi Mazutti Iluminação: Igor Pretto Cenário: Bruno Salvaterra
Trilha sonora original: Pedro Ernesto Petracco Figurino: Fabrizio Rodrigues
Preparação vocal: Lígia Motta 
Direção de fotografia e vídeo: Gabriel Faccini e Pedro Henrique Risse 
Mapeapento de videos: Mauricio Casiraghi
Montagem e operação de luz: Daniel Fetter / Matheus Wathier
Operação de videos: Leonardo Siveira
Arte gráfica: Luiza Mendonça
Produção: Palco Aberto Produtora
Realização: Ano Brasil+Alemanha 2013-2014 | Prefeitura de Porto Alegre - SMC | Instituto Goethe de Porto Alegre

A primeira adaptação para o português do texto de Roland Schimmelpfennig no Brasil teve direção de Alexandre Dill Em A Noite Árabe, o GrupoJogo costura os desejos de cinco personagens vivendo em um mesmo edifício. A montagem foi a primeira adaptação para o português da peça escrita em 2001 por Roland Schimmelpfennig e integrou as comemorações do Ano da Alemanha no Brasil 2013 - 2014. A estreia será nesta sexta-feira, às 20h, no Instituto Goethe. Ao longo da noite mais quente do ano, cruzam-se os cotidianos de duas mulheres e três homens. Eles transitam física e imaginariamente em uma narrativa que mistura realidade e fantasia, consciente e inconsciente.

Do isolamento de seus apartamentos, os personagens de A Noite Árabe almejam escapar do cotidiano. Se, na realidade, uma fria divisão de espaço se impõe aos moradores do conjunto habitacional, suas angústias encontram vazão em um terreno onírico de fábulas e mitos. - A gente quer falar sobre como as pessoas acabam dentro das suas casas fechadas e não vão atrás dos seus desejos. Essa peça mostra que a ausência de comunicação faz as pessoas colidirem desesperadamente sem se entenderem - comenta o diretor, Alexandre Dill. Aproveitando-se da atmosfera imprecisa da peça, o GrupoJogo concebeu uma montagem que funde teatro, dança e cinema para trazer à tona sonhos, lembranças, sentimentos e desejos dos personagens. No palco, cenas gravadas interagem com as atuações ao vivo. O cenário móvel, por sua vez, vai se transformando com o vídeo. Schimmelpfennig representa uma nova geração da dramaturgia alemã contemporânea. Nascido em 1967, ele começou a escrever para teatro nos anos 1990, após deixar o trabalho como jornalista. Seus textos dramatúrgicos já foram traduzidos para mais de 20 idiomas.

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