DO SURREAL AO HIPNÓTICO

 

Ainda estou em êxtase teatral! Coisa que só espetáculos muito bem concebidos e apresentados conseguem fazer. Me refiro a NOITE ÁRABE, dirigida por Alexandre Dill, e que está em cartaz no Goethe Institut. O ritmo do texto, a mistura equilibrada e expressiva de música, cinema, foto, dança e arte dramática leva até despreocupados espectadores a recônditos lugares do subconsciente. Esta abordagem bem sucedida do texto de Roland Schimmlepfennig contou com referências a Nijinsky e Buñel que ajudaram a dar o tom surreal e exploratório. Os tempos bem marcados e textos rápidos e intensos, que beiram a verborragia, em um jogral de pessoas que não conversam entre si, provocam uma sensação hipnótica. Para mim o recado, coisa que não é função da arte, ficou claro e bem colocado neste lindo espetáculo: precisamos conversar mais e melhor entre nós mesmos, e para isso precisaríamos ouvir-nos mais um ao outro, o que é cada vez mais difícil em uma sociedade saturada de mensagens, expectativas e ansiedade. NOITE ÁRABE de Alexandre Dill é ‎#imperdível! 

Luciano Medina Martins - Jornalista 

 

 

 



Intérpretes: João Pedro Madureira, Thainá Gallo, Emanuele De Menezes, Igor Pretto e Gabriel Faccini

Assistente de direção: Filippi Mazutti 
Iluminação: Igor Pretto
Cenário: Bruno Salvaterra
Trilha sonora original: Pedro Ernesto Petracco
Figurino: Fabrizio Rodrigues
Preparação vocal: Lígia Motta 
Direção de fotografia e vídeo: Gabriel Faccini e Pedro Henrique Risse 
Mapeapento de videos: Mauricio Casiraghi
Montagem e operação de luz: Daniel Fetter / Matheus Wathier
Operação de videos: Leonardo Siveira
Arte gráfica: Luiza Mendonça
Produção: Palco Aberto Produtora
Realização: Ano Brasil+Alemanha 2013-2014 | Prefeitura de Porto Alegre - SMC | Instituto Goethe de Porto Alegre

informações e contato:
www.facebook.com/anoitearabe
anoitearabe@gmail.com

 

 

 

 

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ENDURECER SEM PERDER A TERNURA OU FORMALIZAR SEM PERDER A DRAMATICIDADE


A Noite Árabe, na encenação de Alexandre Dill nos permite a fruição de um espetáculo denso e perturbador, que se estrutura como um jogo de múltiplas vozes que ora se opõem, ora se complementam buscando um lugar no tempo/espaço que é - simultaneamente - o apartamento do 7º andar e a epifania de cada um dos personagens. Essa sobreposição de objetivos foi traduzida pelo encenador com o uso da linguagem do vídeo paralela à linguagem do teatro. É reconfortante ver que a montagem não cai na armadilha de fazer um jogral acompanhado de partituras corporais, sob a justificativa de experimento de linguagem, nem descamba para o uso gratuito e burocrático da tecnologia, apenas para rotular a encenação como “pós alguma coisa”. A montagem do Grupo Jogo consegue manter-se no fio da navalha entre ser propositivamente tecnológica, ao mesmo tempo em que é teatral e apaixonada. Muito disso é mérito dos atores que se mostram entregues e inteiros no espetáculo. Numa composição muito difícil de estruturar-se, A Noite Árabe é dispersa e reflexiva, convidando-nos a jogar o jogo essência X aparência, ser X estar, sentir X ignorar, aceitar X fingir. Por último, mas não menos importante, destaco a beleza e eficiência da trilha sonora.

 

 

TEATRO NO PAPEL, por Stella Bento